quarta-feira, julho 02, 2008

O novo Governo

O Governo indigitado pela junta revolucionária era presidido por João Chagas (1) e era constituído por (2) Magalhães Lima – Instrução; (3) Teixeira Queiroz – Estrangeiros; (4) Fernandes Costa – Marinha; (5) Manuel Monteiro – Fomento; (6) José de Castro – Guerra; (7) Paulo Falcão – Justiça e (8) Barros Queiroz – Finanças.

Apesar de o novo governo ter apenas um ministro oriundo do Partido Democrático (Monteiro) era na realidade totalmente controlado por ele, pois Magalhães Lima, Chagas, Teixeira Queiroz e Falcão eram republicanos históricos desde o tempo da Propaganda e completamente fieis a Afonso Costa. Barros Queirós era Unionista e Fernandes Costa filiado no Partido Evolucionista, participava no governo a título pessoal pois António José de Almeida retirou-lhe a qualidade de representante do partido.

No entanto João Chagas nunca chegaria a tomar posse. Vindo do Porto no Comboio da noite, Chagas sofreria um atentado no Entroncamento perpetrado pelo Senador João de Freitas que o baleou na cabeça e tórax. Chagas perdeu um olho, mas salvou-se milagrosamente. Para o Senador João de Freitas não houve milagre. Preso pela Guarda Republicana do Entroncamento, foi adequadamente abandonado na sala de espera, onde a Formiga Branca o espancou até à morte.

Com João Chagas debatendo-se entre a vida e a morte, José de Castro (O decano) assume a presidência do Conselho de Ministros.

No dia 18 de Maio ocorre a primeira reunião do novo executivo. O jornalista de “A Capital” interpela alguns dos ministros.

Magalhães Lima afirma que irá pagar os ordenados em atraso e que no ministério irá continuar a “obra propagandística do ideal republicano”.

Manuel Monteiro afirma sinceramente que “Vim de Braga sem saber que ia ser encarregado da gerência de uma pasta. Ainda quis furtar-me, mas não pude.”

José de Castro, afirma que o objectivo do governo é “Pacificar a família republicana e garantir a todos os cidadãos, o livre exercício dos direitos que a Constituição lhes faculta. […] A nova revolução demonstrou que a República é o regime do povo, que para a defender é capaz de todos os sacrifícios e provou que não é possível a nenhum governo atropelar a Constituição nem desrespeitar as leis. Procederemos de harmonia com a vontade do povo, que é a grande força que nos apoia.”
Populares armados (Formiga Branca) festejando a vitória
Foto de Anselmo Franco – Arquivo fotográfico da C.M.L.

José de Castro, falou e o governo cumpriu. No entanto o “Povo” a que ele se refere não é constituído pela grande massa do operariado rural e urbano analfabeto. O “Povo” de José de Castro são os pequenos comerciantes, funcionários públicos menores; a pequena burguesia urbana que compõe as hostes radicais da formiga branca. No dia 14 de Maio foram estes 15 000 homens que pegaram em armas e nas futuras eleições será este “Povo” que irá autorização para votar - 16 000 votos no Partido democrático e quase 7000 nos restantes partidos. Apesar de a taxa oficial de abstenção ser de 40%, apenas votaram 18.6% da população masculina maior de 21 anos.

Fontes:
"A República Velha (1910-1917) Ensaio", Valente, Vasco Pulido, Gradiva, Lisboa 1997
"O Poder e a Guerra 1914-1918", Teixeira, Nuno Severiano, Estampa
"História Politica de Portugal 1910-1926, Wheeler, Douglas L., Europa-América
Jornal "A Capital"

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1 Comments:

Blogger Nuno Castelo-Branco said...

Há por aí alguns que gostariam de restaurar certas situações. Chegaremos lá?

12:02 da tarde  

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