terça-feira, novembro 16, 2004

As “Incursões” Monárquicas

A consolidação da República dos 300 000 num país de 5 milhões de habitantes, só se poderia dar recorrendo a subterfúgios pouco democráticos. A estratégia preferida foi a do “inimigo externo”, personificado em Henrique Mitchell de Paiva Couceiro, Herói Nacional e Paladino da Causa Real, foi praticamente o único grande oficial Monárquico que não “adesivou” ao novo regime. O governo agitou as massas Republicanas com a “iminência” de uma invasão de “terríveis” monárquicos. Apoiado nas “tropas de choque” do regime Republicano, os “merceeiros” e “empregados de escritório” carbonários, que comandados por Luz de Almeida, espalharam o terror no interior do país, espancando padres e todos aqueles que não fossem de confiança, sendo a sua acção determinante para o não aparecimento de quaisquer listas eleitorais, que não tivessem a aprovação do directório do PRP. De acordo com a lei eleitoral, se num circulo eleitoral apenas se apresentasse uma lista, ela era automáticamente eleita com 100% dos votos, sem a necessidade da realização do escrutínio.
Apesar de existirem 51 circulos eleitorais, as eleições apenas se disputaram em 26 circulos.*
* - "Poder político e Caciquismo na 1ª República Portuguesa" - Farelo Lopes - 1994 - Editorial Estampa

Raimundo Meira, na altura com o posto de Capitão, esteve colocado na serra do Gerês, com o grupo de artilharia de Montanha do regimento de artilharia 6, esperando as tropas de Couceiro. A espera foi em vão, pois a incursão não se deu em Julho, nem tampouco passaria por ali, tal como Raimundo Meira refere quando escreve à sua Mulher, Laura Pinto Meira e 6 de Julho de 1911.
“Cá estou eu no Gerêz à cata do inimigo que ninguém vê.
Isto (Caldas do Gerês) está cheio de gente, o que prova o
pouco medo que lhe têm.
Regresso logo à noite para Braga com uma estugada regular”

2 Comments:

Blogger Paulo said...

Luís: estou absolutamente arrepiado com a genialidade deste blog. Forma e conteúdo ao limite superior. Parabéns mesmo.

12:57 da manhã  
Blogger major said...

Caro Luís,
gosto muitíssimo deste blogue por várias razões, todas egoístas: o género epistolar-biográfico sempre me fascinou; e considero a I República um dos mais interessantes (e abjectos, de um ponto de vista de monárquico democrata como eu) períodos portugueses, onde o fanatismo andava à solta. Ao pé desses anos - e de figuras como o infame Afonso Costa, o genocida religioso Miguel Bombarda (o homem que queria colocar todos os jesuítas "numa ilha deserta, sem possibilidades de reprodução") e outros que tal - o PREC é para meninos. Crê-me leitor atento e fascinado.
abraços,
nuno

11:24 da tarde  

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